quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Punks de la Montaña!!!




Decidimos meio que na louca em ir novamente acampar na serra do mar, fazendo a famosa trilha do Itupava, primeiro acesso Curitiba/Paranaguá (ou vice-versa), por onde vinham os jesuitas, montados em seus burricos; quase toda a extensão que resta da trilha original é calçada de pedras (muito lisas por sinal), os responsáveis por essa construção foram nada mais nada menos que os sofridos escravos africanos, explorados por estes “mártires” pregadores do catolicismo... É uma sensação estranha, saber que está andando no pouco que resta da mata atlântica nativa brasileira, que está sendo devastada mais rapidamente que a própria Amazônia, em uma trilha formada por suor e sangue...

O começo da caminhada se faz no ponto final do ônibus Borda do Campo, no município Paranaense de Quatro Barras, por aí seguimos por carreiros, fazendas e propriedades particulares, passando por vários picos como Anhangava e Pão de Ló; após passar por uns banhados ficam pra trás as últimas cercas, ali já estamos totalmente embrenhados na mata, cortando morros e rios (que em dias de chuva formam uma correnteza que quase nos arrasta), subidas e decidas, grutas, fontes de água mineral... Chegamos ao Ipiranga onde tem uma mansão (de antigos nobres) abandonada no meio do nada, ou do tudo, uns espertos tiveram o dom de destruir esta casa, perto dali tem várias casas menores... Também perto a “roda d’agua”, onde já morreu um ou outro afogado... Dali seguimos caminho pelos trilhos de trem, passando por cima de grandes rios, usando como ponte os próprios trilhos, passo à passo, dormente por dormente. Depois de uma caminhada de 4 horas, chegamos ao local onde dormiríamos, na beira de um rio, nadamos um pouco e armamos as barracas. Neste local à noite dá pra notar pequenos animais que se aproximam da fogueira, ratos, preás, lagartos, cobras... Ficamos por ali dois dias, uns amigos que estavam juntos passavam o tempo escalando encostas de pedra de mais ou menos uns 10/15 metros, eu com medo de me quebrar ficava só bebendo e olhando. Desarmamos as barracas e fomos embora, na caminhada, por uma trilha secundária achamos um lugar muito louco (onde acampamos em outras vezes) , com clareiras e árvores enormes, escondido longe da trilha original, neste local pouco conhecido por mochileiros fica uma parte do rio bem funda, ficamos por lá umas horas, fumamos uma perombeta e fomos à represa do Véu da Noiva, ficamos mais uma tempo lá curtindo e cruzamos um pessoal que fumava um baseado em cima da barragem... Indo pra estação de trem recebemos a primeira má notícia, com a privatização da rede ferroviária cortaram por tempo indeterminado, começando justo naquele dia, os trens passageiros... Teríamos que ir à pé... O pessoal que acabávamos de encontrar resolveu voltar a trilha, nós resolvemos seguir até Porto de Cima, já sabendo que por causa do horário não mais teria ônibus naquele dia... Por termos pouca comida não tinha jeito de ficar mais uma noite, então seguimos sabendo que logo logo cairia a escuridão (e só tinhamos uma lanterna). Cortamos um morro até o santuário do Cadeado, onde demos um tempo para ver o trem cargueiro passar, em cima do trem tinha uns moleques, vindo na louca em direção à Curitiba, continuamos e descemos a serra até chegarmos à “civilização”, já estava noite e sem ônibus, tivemos que seguir de novo à pé pela estrada que vai à Morretes, uma reta de seis quilômetros sem um poste sequer para iluminar o caminho, depois de mais umas quatro horas de caminhada chegamos finalmente à rodoviária, onde matamos o cansaço e a sede com muitas cervejas... Pegamos o último ônibus para Curitiba...

Tem gente que acha que isso é masoquismo e sofrimento em vão, mais falam isso e outras coisas só se não conhecem a serra do mar.












(mapa da Trilha do Itupava, Local por onde passamos algumas boas vezes...)

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